17 de agosto de 2011

Um certo lugar...

E quando nada disso mais bastar, haverá razão? Quando os questionamentos forem confusos o bastante para me fazer perder o raciocínio, existirá alguém pra socorrer? E se o pranto não cessar, alguém vai ouvir? Nesse estado de espírito agridoce, meio frio ou meio quente, bem certo ou muito errado...Será que em algum momento, por mais estranho que pareça, o ser humano consegue se encontrar na palavra dita sem intenção ou no gesto gentil de um estranho? Eu digo que sim.
Meus caminhos tortuosos me levaram ao que chamo de peculiaridade. Uma coincidência estranha, uma paixão comum, uma confusão de se invejar, umas prateleiras empoeiradas e belas, ao menos aos meus olhos. Uma biblioteca me faz viajar, me mostra gêneros diversos de seres. Meus pés tocam o assoalho e fazem um barulho estranho, olho ao redor e vejo uma coisa apenas: diversidade. Percebo o idoso que se sentou na parte mais iluminada para ler as letras miúdas (vejo amor antigo), vejo uma moça fazendo pesquisa com uma amiga (entendo necessidade e responsabilidade), percebo rostos conhecidos de passagem, mas não de convivência (lembro da rotina). A cada passo meu, uma nova percepção. Uma nova ideologia.
Silenciei e observei. Tentei me manter o mais neutra possível. Escolhi meus livros e segui novamente rumo ao balcão de baixa. Me assustei ao ver um sorriso bonito e certa gentileza amigável. Eu não podia sair de meu equilíbrio, eu estava quase lá! Mas uma conversa foi capaz de me fazer confundir a mente e depois retornar à terra firme. Palavras, frases, orações...Um intervalo de 10 minutos foi o bastante para me convencer a escrever meu cotidiano. Novamente!
Quando meu mundo pede ajuda, eu tento entender o próximo. Me esqueço que a maioria vê apenas a si, apesar do mundo vizinho estar ruindo. Naquela biblioteca aprendi que, apesar das diversidades, somos todos seres sensíveis ao olhar. A conclusão de cada um aos meus olhos foi diferente, mas todos trocaram um segundo de contato visual comigo e demonstraram um sentimento diverso. E quando eu, distraída no meu mundo, fui surpreendida por outro olhar, não pude evitar a reação. O que ele viu em meus olhos, não sei. Mas eu vi o que não enxergo nos olhos de muitos ao meu redor: curiosidade pueril. Se foi mais uma coincidência, também não sei. Mas foi bom poder partilhar esse momento ínfimo de descobrimento. Foi bom recuperar a razão com pura inocência do desconhecido. E agora me pergunto: atrás desses olhos castanhos, o que será que se passava? Talvez eu nunca descubra. Mas o momento aqui se gravou, na minha mente de Alice.

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