14 de setembro de 2011

Felicidade derradeira

 Ele é um garotinho de aproximadamente 5 anos. Gordinho e rosado. Tem olhinhos pretos e rasgados. Todas as manhãs a felicidade pueril canta aos ouvidos de todos que presenciam suas brincadeiras à caminho da escola. Suas gargalhadas sonoras e sua voz fininha, aquela de criança que encanta. Não pude evitar observá-lo nesta manhã em especial. Fui tomar meu assento na van e ele estava sentado no último banco. Olhou-me com carinha de inocente e deu um sorriso gostoso de "Bom Dia!". O dia para mim havia começado com um tom de turbulência, mas ele me fez olhar pra manhã nascente e descansar o cenho. Ouvi minhas canções e pude vê-lo descer da van e sair aos saltinhos para entrar no colégio. Me despedi mentalmente e pensei em como gostaria de ver uma pessoa adulta com aquele mesmo sorriso. Mas logo desisti da ideia, devo manter os pés no chão.
  No entanto, o que mais me deixou curiosa foi o seguinte fato: em que momento de nossas vidas acabamos por perder esse brilho especial? Quando as coisas mais pequenas passam a nos interessar menos? Não me lembro de como isso aconteceu comigo. Mas sei que hoje eu vi, que apesar de o mundo parecer nublado e medonho as vezes, conheceremos pessoas que farão dele um lugar mágico. Por menor que seja o tempo, deixarão nossos olhos livres pra olhar com candura e, sem qualquer palavra que seja, poderão tirar-nos do abismo que é a rotina para àqueles que não se atém aos detalhes. 
  Acredito que meus olhos buscam essas pessoas. Não porque me é difícil enxergar os detalhes bonitos da vida, mas porque em algum momento de trevas, aqueles sorrisos e olhares vão me livrar da dor. Eles têm o poder de me chacoalhar e ajeitar a confusão que vive dentro de mim. Por mais ínfimo que seja o segundo, minha eternidade é feita da junção de todos aqueles momentos. E isso, para mim, se chama felicidade derradeira.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Sua Exclamação